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Terça, 04 de outubro de 2022
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Coluna

O Conflito

A arte do entendimento já existe, mas a maioria conhece A Arte da Guerra e a usa na vida pessoal.

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É bastante difícil em um conflito familiar sabermos distinguir quem tem razão. Na minha prática profissional clínica venho fazendo mediação a alguns anos e o problema que mais enfrento não é descobrir quem tem razão, é mostrar às partes que o apego a ter razão está ofuscando o que ambos necessitam e que poderia ser resolvido facilmente se ambos direcionassem suas energias para encontrar a motivação para o conflito.

Na maioria das vezes as partes ficam irredutíveis porque gastam suas energias cerebrais para descobrir se o que elas vêm fazendo ou fizeram está baseado em certo e errado. Por mais que eu mostre que o certo e o errado seja um conceito abstrato, moral e frequentemente equivocado, a hipnose do certo e o errado não permite essa sugestão ser recebida. O mais comum é as partes quererem que o terapeuta tome uma posição em benefício a um ou outro e quando a intenção é transformar o mediador em cúmplice, ao perceberem que esse papel não será exercido, se sentem frustrados e tendem a abandonar o trabalho de mediação terapêutica.

O resultado de não abandonar as estratégias do “certo/errado” é a ruptura, a separação e a guerra. Relacionamentos de anos em que as partes dormiram juntas, comeram na mesma mesa e trocaram momentos íntimos de prazer e satisfação agora é experimentado com trincheiras de lados opostos e um vê hipnoticamente o outro como um personagem monstruoso. É o momento que o julgamento e o rótulo passam a habitar as mentes envolvidas no conflito. Fulano é teimoso, Cicrano é mentiroso, grosso, estúpido, Beltrana é manipuladora, maldosa, e esses rótulos passam a distanciar as pessoas da realidade passo a passo, dia a dia, momento a momento. Quando se dão conta seus pensamentos passam a substituir as ações observáveis e a prática que foi vivida por toda uma vida e tudo que foi construído na relação é enterrado como se nunca tivesse existido. Não! Ninguém é alguma coisa! Uma pessoa não passa a ser alguma coisa do nada, de repente por caminhar em direções diferentes.

Somente pessoas confusas querem ter razão! Não tem a menor ideia do que sentem ou precisam e buscam uma ilha de razão para apoiar comportamentos cruéis. Pessoas quando confusas querem que o outro descubra o que elas precisam porque elas não têm a menor ideia do que precisam. Pessoas quando confusas agridem quando precisam de abraço, controlam quando se sentem sozinhas e machucam quando se sentem vazias praticando o grito de socorro suicida. Essa expressão criada por Marshall Rosenberg ilustra uma pessoa que ao querer um carinho ou apoio e usa a estratégia da ironia e sarcasmo, vai colher o oposto do outro como: reações violentas; se distanciando cada vez mais de obter o que gostaria daquele com quem convive culminando em brigas e conflitos.

Separações e guerras acontecem e se aquele que se agarra às estratégias violentas para obter afeto não desistir de ter razão, futuramente irá pular de relacionamento em relacionamento experimentando das pessoas o afastamento e a rejeição. O problema não está “naquela” pessoa que foi embora quando o indivíduo não era capaz de manter qualquer relacionamento em harmonia e equilíbrio por mais tempo. Não sabe tirar o melhor dos relacionamentos e tem verdadeira inabilidade social acreditando ou reforçando a crença de que as pessoas são burras, ruins, manipuladoras, bestas ou qualquer outro rótulo que possa representar o problema considerado alheio e jamais pessoal.

Guerras familiares não são exclusividade dos casais, mas também entre mães e filhos, amigos, sócios, primos, irmãos e colegas de trabalho. Quando um relacionamento chega ao ponto da ruptura, todas as partes falharam pela postura de querer impor ao outro as próprias convicções sem ter clareza das próprias necessidades, que só podem ser satisfeitas individualmente, e sem considerar identificar as necessidades da outra pessoa. No lugar de se conectar com as necessidades escolhem ter razão ou ensinar uma lição na ilusão de certa superioridade em relação a outra parte. Já imaginou o que são duas pessoas cheias de razão, se sentindo superiores em relação ao outro e querendo dar uma lição? Pois é!

Como costumamos dizer em nossas conversas ao vivo no Jornal Conservador: todo mundo tem razão! E a preservação dos relacionamentos é aceitar que cada um carrega as verdades dentro de si e deixá-las de fora como se fossem armas deixadas na entrada dos ambientes é o caminho para chegar a um lugar comum. O que é comum a mim e a você não tem compromisso com a razão, tem compromisso com o que está vivo universalmente dentro de nós e o que está vivo dentro de todos os seres humanos são as necessidades.

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Lorela Casella é Hipnoterapeuta, escritora, publica textos no Jornal Conservador https://t.me/JConservador, no canal no telegram https://t.me/lorelacasella https://t.me/hipnoofficeFoz, publica podcast no https://lorelacasella.substack.com e toda segunda às 18h apresenta o Curso para Bolsominions no Jornal Conservador https://www.facebook.com/OJConservador

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